As Utopias das Extremidades Políticas

A ideia moderna de governo vem incluindo uma estrutura de poder absolutista que controla a sociedade por meio de opiniões supostamente elevadas e intelectuais, que muitas vezes entram em desacordo com os princípios constitucionais, em nome dos mais superiores discursos que propõem leis e decretos para atender suas necessidades ideológicas. No entanto, cada uma das esferas políticas, hoje chamadas incoerentemente de esquerda e direita, elaboram seus próprios sistemas de constituição de uma verdade absoluta e delirante, difundindo algumas utopias.

As utopias não são uma exclusividade dos intelectuais que se esforçam para elaborar novidades a respeito do sistema de dominação, mas há no pensamento utópico uma tentativa de manter lealmente e intocavelmente a história, no caso dos chamados direitistas, assim como de transformar de maneira revolucionária toda essa mesma história, segundo as investidas dos intitulados esquerdistas. A questão fundamental aqui é que essas realizações históricas para a revogação ou mantimento das tradições, são uma espécie de busca por um monopólio sistêmico do poder que influencia fortemente as massas polarizadas.

Essas ideias políticas utopicamente constituídas, buscam estruturar desde a concepção de centralização do poder até as tomadas de decisões necessárias para submeter a sociedade às suas pretensões de engenharia social que almejam a remissão ou o aperfeiçoamento da condição humana segundo o ideal de perfeição constituído por cada um desses dois nichos nas pontas da corda pragmática social. O pragmatismo que se busca alcançar é o do futuro em perfeitas condições de vida, livre dos sofrimentos humanos, das restrições morais e de conduta tradicional dos costumes, assim como manipular nossas carências e heranças do passado.

A esquerda crê em igualdade, mas quem disse que as pessoas são iguais e precisam ser iguais? E nossas individualidades? Sua utopia é acreditar que a revolução é a cura para todas as doenças, que sair da privatização e instituir um Estado livre de governo soberano é ter uma sociedade que se retroalimenta e sustenta sozinha. Não é considerado o desejo e as pulsões psíquicas subjetivas que nos levam a rumos diferentes.

A direita já tem um fetiche com relação a liberdade sem a influência da autoridade, mas quem disse que a liberdade é o alvo máximo e absoluto da sociedade? Sua utopia é achar que as coisas não podem mudar, é ter uma posição inflexível com relação a mudanças na estrutura da sociedade que desestabilizariam a tradição e dariam ao povo a liberdade extrema da escolha sem intervenção das práticas históricas de sociabilização.

A direita, em função de sua busca pela estaticidade historial, defende que cada povo permaneça no seu lugar. Isso estimula, por exemplo, a xenofobia como prática necessária, e hoje nós sabemos que há uma demanda intercultural de acolhimento em função das guerras civis e religiosas. Por sua vez, a esquerda acredita em uma igualdade que anula nossas individualidades, nossas personalidades e escolhas diferentes. Ela decide anular todas as verdades biológicas a nosso respeito nessa busca também pela anulação de quem somos, na construção de uma identidade única e absolutamente gerenciável. O elemento a ser acrescentado é a recuperação da ideia do processo de construção de uma nova sociedade a partir da total destruição dessa já existente. De uma nova esquerda, uma nova visão de mundo, uma nova visão de humanismo e não abrir mão dessa investida em nome de nada, em nome de pragmatismo nenhum.

Os poucos líderes que conseguiram resistir à praxis desses movimentos, perceberam rapidamente como se movimentar nas entranhas dessas bestas que eles mesmos ajudaram a criar. O perigo está na tendência que se tem a autoproclamação desses líderes ao poder supremo e a perda do controle, que leva toda a sociedade junto. Constroem mundos utópicos expectando instituí-los e rejeitam a realidade em andamento. Rejeitam a propriedade irrefutável do outro de seguir o caminho escolhido pela democracia conquistada. E todo o sofrimento e caos violento elaborado por suas decisões, desencadeiam consequências previamente calculadas e geradas ignorando a virtude do ser, a fim de que a estrutura interna desse método de controle seja apresentada como uma solução agradável e infalível para problemas que sequer foram verdadeiramente considerados.

A solução dos problemas comuns nunca foi a finalidade principal dos filósofos políticos originários das utopias teóricas. Substituir os problemas novos pelos antigos ou revolucionar e transferir os que já existem por novos é o real foco de ação, mesmo que nunca sejam admitidos como tais. A busca por um futuro com condições perfeitas de vida é, para nós cristãos, uma utopia desmentida pelas Escrituras, tendo em vida que ela afirma ser o nosso tempo, e toda a fome, pestes e terremotos, o princípio de dores (Mateus 24.7-8). Então, idealizarmos uma nação que seja sustentada por uma busca ilusória como essa, leva as classes mais necessitadas socialmente a crer que o messias ainda está por vir. Manipula os ignorantes politicamente a entregar seus votos a candidatos que alimentam em seus corações aquilo que sequer Cristo prometeu.

Também ansiar por uma sociedade livre dos sofrimentos humanos é ir contra o que sabemos estar escrito. Paulo, um exemplo de imitador de Cristo, no qual também nos inspiramos, ensina-nos que aquele que tem Deus como Senhor e Cristo por testemunho, enfrentará, em Sua cruz, toda espécie de morte e sofrimento. O apóstolo sofreu perseguições e martírio em Antioquia, Icônio e Listra (1 Timóteo 3.10-11). Suportou espancamentos, foi dado por morto vítima de apedrejamento e jogado às portas de Icônio (Atos 14.18-19). Por isso, não podemos engordar essa premissa que impossibilita a nossa caminhada na verdade do Evangelho.

Vender a ideia de que é possível construir uma sociedade pacífica e igualitária através das irrestrições morais e de conduta tradicional dos costumes é o mesmo que entregar nossas almas a Satanás esperando encontrar a salvação. Umas das agendas progressistas, que está ligada a ideia de um progresso infindável através de transformações radicais da sociedade, da economia e da política, é a sexualização precoce. Há uma imposição, principalmente às meninas, a essa erotização precoce, desde o mercado da moda até a indústria musical. Para exemplificar, temos o caso da nova série da Netflix, Cuties (2020), que escancara a sexualização de meninas com apenas 10 e 11 anos, explorando sua feminilidade e desafiando as tradições familiares. É isso o que incentivamos quando dizemos que a ausência do Evangelho não culminará na desmoralização total da sociedade.

Mesmo que seja banal em nosso país, tendo em vista o ponto a que chegamos após anos de política partidária com viés sócio comunista, a hipersexualização das meninas as insere no universo paralelo e marginalizado da gravidez precoce. O que foi facilmente resolvido pela pauta abortista do feminismo, que diz não importar quantas vezes se gere uma vida em um útero, a morte dela justifica a vida de quem não a quer. Afinal, sendo a mulher dona de si, tem o direito de cometer assassinatos em série sem ser responsabilizada, assim como o homem que participou do sexo gerativo com ela. Dois coelhos com um aborto só! A gravidez precoce é um dos grandes males que assolam a vida das meninas do nosso país e esse é apenas um destaque visto a olho nu e emergido pelas pautas cujo progresso e o evolucionismo são o rigor avaliativo e que podem nos levar ao rigor mortis espiritual.

O dever dos líderes políticos, especialmente aqueles que carregam consigo o Espírito da Verdade, é defender a justiça e o bem, buscando ajudar aqueles cujas necessidades são mais evidentes, mantendo a ordem social a partir dos princípios de disciplina e doutrina cristã e punindo o crime com base naquilo que Deus nos deixou por primícias dos dez mandamentos. Quando os políticos temem a Deus e buscam com dignidade fazer aquilo que é correto, a nação é abundantemente abençoada. No entanto, o que vemos é uma união partidária de bandeira evangélica que é incapaz de abrir mão das ideologias corruptas do governo infiel e assumir os ensinos paulinos que nos afirmam que após a cruz há o beneplácito das obras. A Bíblia nos mostra no livro de Juízes, o qual recomendo fortemente a leitura do início ao fim, que o pecado, a iniquidade e a injustiça do mais forte sobre o mais fraco traz instabilidade política e leva ao castigo divino todos aqueles que desonram o nome do Senhor. No entanto, não somente eles são castigados, mas todos aqueles que o elegeram enquanto representantes da autoridade e do governo na terra.

Espera-se que uma nova remessa de cristãos verdadeiros, que não levantam placas, mas portam o sacrifício de Jesus como princípio básico para sua Cosmovisão, acabem com as utopias plantadas no parlamento, obedeçam as leis e respeitem o Rei Supremo. Se na atual conjuntura, sequer a lei dos homens é respeitada e cumprida, que os novos políticos cristãos possam ter como prioridade em seu mandato a realidade das Escrituras, que não mente e não engana ninguém, em detrimento da sociedade imaginativa que vem nos degradando, pois a Lei de Deus é infalível e pratica a justiça perfeita e agradável do Reino de Jesus.

Compartilhe esse post

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on print
Print

Leia também

Sobre nós

A Escola Governe tem por finalidade direcionar vocacionados ao governo do Brasil. Acreditamos que falta no Congresso Nacional uma representatividade política de Cosmovisão bíblica….

Recent Posts

Siga-nos

Se inscreva no nosso canal