O Cristão e a Política

Estamos em um momento de polarização generalizada. Se você disser qualquer coisa nas redes sociais, discordarão de você e tentarão de todas as formas sair vencedores nesse embate. Alcançamos uma infinidade de “amigos virtuais” que em época nenhuma alcançaríamos. Pessoas simples têm em sua rede cerca de 100 pessoas (dificilmente menos), números que em séculos passados seriam exclusividade de poucos. Isso sem falar dos super acessados com milhares e milhões de pessoas! Quem imaginaria uma movimentação tão grandes pessoas em uma pequena tela ao alcance das mãos? Quem pensaria que teríamos bilhões de pessoas conectadas e se inter-relacionando de maneira tão ativa e intensa? E nessa realidade somos influenciados, doutrinados ou mesmo enganados, sem darmos o mínimo de atenção, mas isso não é novo; propaganda em massa é um recurso utilizado há muito tempo pelos jornais, televisões, cinema e rádio. O largo acesso atual se dá com o advento da internet, surgida há cerca de 30 anos, e que fez migrar os canais de comunicação para outra realidade.

A internet como fonte de comunicação e propaganda é o “boom” geral. Em 2020 foi lançado o documentário O DILEMA DAS REDES, que demonstrou a capacidade das gigantes big techs de atrair recurso e influenciar pessoas; seja em suas emoções, em como definir seu candidato preferido ou outras infinitas maneiras de condução opinativa. Não posso deixar de citar a inteligência artificial que manipula e nos sobrecarrega de conteúdos e toma todo nosso tempo de forma sistemática e proposital. Há quem administre melhor essas atividades externas, mas outros têm perdido o domínio da sua própria existência e tudo acontece virtualmente.

Por que toda essa volta? Fiz esse panorama simples para que pensemos sobre a interação do cristão com a política. Sabemos que ninguém é neutro, Tim Kelle disse: Primeiro, não devemos pensar que é realmente possível transcender a política e simplesmente pregar o evangelho. Aqueles cristãos que tentam evitar toda e qualquer discussão e engajamento políticos estão essencialmente votando em prol do status quo social. Como nenhuma sociedade humana reflete com perfeição a justiça e a integridade de Deus, supostamente os cristãos apolíticos estão apoiando muitas coisas que desagradam a Deus. Então, não ser político é ser político. No início do século 19, as igrejas nos EUA que não falavam sobre escravidão, porque isso seria “se envolver em política”, na verdade estavam apoiando o status quo da escravidão ao permanecerem em silêncio. A Bíblia também nos mostra crentes individuais que eram envolvidos na política e ocupavam cargos importantes em governos pagãos — pense, por exemplo, em José e Daniel.

Não há como isentar-se e fazê-lo é dar aos outros apoio e poder na capacidade de decidir por você.

A grande questão é que enquanto éramos conduzidos pela grande mídia tudo era como eles desejavam que fosse. Hoje não é mais assim – quem não tinha voz e opinião, apareceu por causa da facilidade da internet. Conservadores (sem expressão midiática) elegeram Jair Bolsonaro presidente do Brasil e Donald Trumph presidente dos EUA.  Além disso, foi possível que pastores e conteúdos reformados fossem acessados por quem jamais teriam contato, uma vez que a grande porcentagem dos evangélicos brasileiros são pentecostais. Com todos os seus defeitos, as redes nos trouxeram uma visão conservadora e reformada, algo que reputo como necessário para a pluralidade e o direito ao contraditório. (1)

A polarização foi intensificada a partir daquilo que até pouco tempo dizíamos não ser discutível: política e religião. No entanto, esses assuntos estão no centro da nossa atenção, já que os votos dos evangélicos decidiram as eleições de 2018 e todos os candidatos agora estão de olho nesses votos. Pastores progressistas e conversadores enfrentam-se diretamente (inclusive já fiz isso) com conteúdo e domínio do assunto, porém, hoje todos são capazes de falar a respeito de qualquer assunto, mesmo sem domínio, apenas por convicção ou vaidade. O que faremos, então, diante disso? Aconselho que fuja da idolatria! Yago Martins faz uma citação de idolatria fantástica: Deus está dizendo que era possível ser idólatra sem se ajoelhar a qualquer imagem. Eles adoravam outros deuses, mas o único ambiente de culto do qual eles participavam era o do Deus vivo. Eles não estavam nos rituais a Moloque ou a Baal. Eles estavam na casa do profeta e viviam junto ao povo de Deus. O comportamento poderia ser ilibado, já que eram os anciãos da casa de Israel, mas eles tinham ídolos secretos. Esses postes de adoração a falsos deuses não estavam escondidos em algum porão a sete chaves, cuja entrada se daria por uma escotilha nos fundos da casa, mas eram guardados em um lugar ainda mais inacessível. Esses altares estavam no profundo do coração de cada um, escondidos na mente, nos sentimentos, nos afetos, nas afeições, nos valores, nos hábitos e nos amores. Em outras palavras, mesmo que aqueles anciãos no exílio estivessem dispostos a práticas externas ortodoxas, eles estavam contaminados com o mesmo pecado dos que foram abandonados em Judá: a idolatria. [ 10 ] A adoração interior era contrária à adoração exterior. O que eles faziam para fora indicava uma religião, mas, por dentro, havia outros deuses sendo adorados. Ainda que o povo de Judá tivesse ídolos externos e visíveis, o povo de Israel tinha ídolos internos e invisíveis. (2)”

Precisamos estar atentos se aquilo que apoiamos é de forma irrefreada, sem filtro, ou consciente, e precisamos lembrar que ninguém é o nosso redentor além de Jesus. Não conseguiremos que seja instalado o mundo perfeito (o que será feito apenas na Cidade Santa), portanto devemos cumprir o mandato cultural, guardar e cultivar,  sem colocar toda nossa confiança em líderes políticos ou mesmo espirituais. Enfrentamos um problema de entendimento político no qual líderes políticos são tratados como os reis da Antiguidade e recebem tratamento como se fossem enviados ou representantes diretos de Deus, assim como Seu porta voz.  Agostinho nos faz um alertar, todavia, além do povo da cidade dos homens e da própria paz temporal, há um outro povo que constitui também uma outra cidade e que busca uma paz de outra ordem. Há, pois, uma paz privativa daqueles que, pela fé, esperam desfrutar e de alguma forma já desfrutam do próprio Deus. Ora, como esta cidade é espiritual, ela não se encontra no “espaço-temporal” de nenhuma cidade terrestre; antes, podemos recrutar seus cidadãos de todas as cidades terrenas existentes. (3)

Desejamos um mundo melhor para nossos filhos e netos, porém precisamos sempre lembrar que haverá novo céu e nova terra e que lá não veremos mais por partes fracionadas, de acordo com nossa visão humana limitada, ou como por um espelho, mas veremos o Senhor face a face e teremos um verdadeiro Rei.

Enquanto buscarmos nos homens atributos divinos, nos frustraremos. Precisamos interagir com a política e não fazer dela um cabo de guerra. Devemos apreciar o que há de bom em cada lado e reter o que for compatível com nossa fé, sem cabresto ou idolatria, mas com sabedoria e através de uma cosmovisão bíblica para todos os assusto: Onde a bíblia se cala eu me calo também.

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